segunda-feira, 7 de julho de 2008

SEU TIPO

O DISCO
Ainda em sua Turneé Feitiço em 1979, Ney ganha o prêmio de Melhor cantor do Ano. Em outubro de 1979 ele apresenta seu novo álbum - Seu Tipo... "Eu estava sentindo necessidade de uma mudança! E o primeiro sintoma foi a vontade de cortar o cabelo. Cortei com medo. E cortei aos poucos! Gostei.
Na verdade, tudo isso é uma inquetação que está comigo há um ano, exatamente desde o Feitiço. Falo do show. Tive que montá-lo em uma semana para cumprir um contrato de três meses no Nordeste. Não podia levar o mesmo show do ano anterior - Bandido. Então, bolei o Feitiço às pressas. Afinal, bastava fazer bem o que eu já sabia.
No final da temporada, eu estava mais parado, procurando uma saída... E a saída, acredito está aí. Um disco mais mais calmo e mais maduro. Até que enfim! As pessoas que estão esperando festa não vão gostar. Nesse disco tem até samba-canção. Não é mais romântico mas fala de amor. Tem uma coisa de dor-de-cotovelo, forte, é Dor Medonha de Fátima Guedes e tem uma canção de Jobim e Vincius, nova, chamada Falando de Amor. É o tema geral do disco embora eu toque em outros assunto, é o amor. Não é amor/paixão. É o amor de uma forma mais ampla. Tem uma versão que o Caetano fez de Nature Boy, linda! E tem Trapaça, de Herman Torres, Último Drama, de Mauro Kwitko (o mesmo de Mal Necessário). Tem Luli/Lucina, Joyce e a música que dá nome ao disco - Seu Tipo - de Eduardo Dusek e Luiz Carlos Góis. Ainda Regravei a Rosa de Hiroxima, arranjo de Joyce e uma música do João Ricardo - Tem Gente com Fome - em cima de um poema de Solano Trindade. O Disco é isso. Diferente sim. E acho que no tempo certo! Não pela minha idade. Digo mais pelo tempo de trabalho: sétimo ano de carreira e sétimo disco - um número forte, não é? Pela primeira vez estou de cara limpa! A maquilagem eu usava propositadamente para me esconder. Tinha medo que o Ney-público interferisse no Ney-indivíduo. Mas lentamente eu já vinha tirando isso. no próximo show - fevereiro provavelmente - vou usar um terno. Não porque finalmente eu tenha entrado nos eixos. Eu apenas vou usar o terno como uma fantasia, uma roupa como aquelas que eu usava na fase do bicho! O que aconteceu é que, com o tempo, fui amadurecendo, ficando mais seguro de mim. Não pretendo me maquilar também! Não sei como vai ser porque também nunca fiz um show sem maquilagem. Acho tudo isso meio desafio, para mim. Eu sempre me separo do Ney-no-palco! São duas coisas distintas! Mas agora, sinto que os dois vão se encontrar pela primeira vez... e quero ver o que vai acontecer! ... (Entrevista Revista Fatos e Fotos, reportagem de Lúcia Leme, novembro de 1979).

O Show

Em 27 de fevereiro de 1980 Ney estreia o show Seu Tipo no Teatro Carlos Gomes, Rio.


Ney pediu ao costureiro Hugo Rocha que desenhasse algo diferente, um terninho igual ao que a cantora Simone usou em seu recente show no Canecão. "Quero enxugar meu visual, mostrar que sou um cantor", é sua declarada intenção com o novo garda-roupa. Com o Teatro Carlos Gomes completamente lotado, Ney Matogrosso entra em cena e surpreende o público: o cantor surge vestindo um elegante terno branco, com colete e gravata. Durante as primeiras quatro músicas ele se mantém com o terno, aparecendo em seguida de malha. Momento de grande emoção foi registrado quando Ney declama o poema de Solano Trindade e Grande Otelo subiu ao palco para cumprimentá-lo pela belissima escolha. E depois mudando novamente de roupa atrás de um biombo no palco, canta a música Fala, e encerra o show com a música Um Índio.

Como era de se esperar Ney Matogrosso teve uma estréia apoteótica de seu show. Muita gente querendo entrar, expectativa geral, muitos aplausos no final. Depois do espetáculo, Ney convifou para seu camarim um grupo selecionado de amigos. O público, entretanto, não conteve sua empolgação e invadiu o camarim do cantor que recebia suado e sem camisa. Felicissimo: havia corbeilles da orta do teatro ao camarim.... (nota de jornal da época/fev. 1980)








Músicas

Seu Tipo - Eduardo Duseke e Luiz Carlos Gois
Coração Aprisonado - Luli e Lucina
O Seu Amor - Gilberto Gil
Ardente - Joyce
Não Há Cabeça - Ângela Ro Ro
Doce Vampiro - Rita Lee
Fala - João Ricardo/Luli
Encantado - Caetano Veloso
Barco Negro - Piratini/Caco Velho
Balada da Arrasada - Ângela Ro Ro
Ando Meio Desligado - Rita Lee/Arnaldo Batista
Falando de Amor - Tom Jobim/Vinícius de Moraes
Último Drama - Mauro Kwitko
Me Roi - Luli/Lucina
Napoleão - Luli/Lucina
Marina Marinheira - Geraldo Vandré
Tem Gente com Fome - Solano Trindade
Cachorro Vira Lata - Alberto Ribeiro
Rio de Janeiro - Ari Barroso
Um Índio - Caetano Veloso

Músicos

Grupo Terceiro Mundo
Jorge Luiz de Carvalho (Jorjão) - baixo, violão e voz
Jurim Moreira (Jurim) - Bateria
Márcio Cotti Miranda (Marcinho) - teclados, vocal
José Paulo Souza (Zepa) - , guitarra, viola
Luiz Paulo Guanabara (Luiz Paulo) - sopros
Sidney Martins Moreira (Cidinho) - percursão

4 comentários:

Apólogo 11 disse...

Caro Paulo Cesar, disponibilizei em meu blog, APÓLOGO 11, 2 reportagens inéditas com os Secos & Molhados escaneadas da extinta revista POP. Estão à sua disposição:

http://apologo11.blogspot.com/2008/07/ascenso-meterica-da-banda-secos.html

Norma Lima disse...

Muito bom, parabéns. E olha que nem sou fã do Ney! Abraços.

Karen Lemos disse...

Olá,

Seu blog é ótimo!!
é dificil reunir tanto material interessante do ney em um lugar só.. estou adorando!! parabéns!

beijos!!!

Maria Aparecida Souza Oliveira disse...

Você é magnífico, sou apaixonada por seu trabalho e por sua voz!
Muito obrigada meu querido, por disponibilizar seu acervo.
Um beijo.